Holding Familiar e Planejamento Sucessório: Como Proteger o Patrimônio e Evitar Conflitos na Sucessão

Artigo escrito pelas sócias proprietárias Larissa Gabrielle Alves Cangussu Dela Ricci e Gabriella Pedroso Pereira, do escritório Pereira e Ricci Consultoria Jurídica e Advocacia

Entenda como proteger o seu patrimônio, evitando conflitos na sucessão e antes mesmo da sucessão.

02/04/2025 21h00 Atualizado há 24 minutos

Famílias com patrimônio relevante seja em imóveis, empresas, investimentos ou bens de uso carregam um desafio silencioso: garantir que esse patrimônio permaneça íntegro ao longo do tempo, evitando perdas, conflitos e burocracias que frequentemente surgem após o falecimento.

No Brasil, o inventário é um processo caro, lento e tenso. Não é raro custar entre 8% e 20% do patrimônio envolvido, durar anos e gerar desgastes emocionais profundos entre herdeiros. Para muitas famílias, o medo não é apenas “quem fica com o quê”, mas como evitar brigas, bloqueios e perdas patrimoniais.

É nesse cenário que a holding familiar, aliada ao planejamento sucessório, se tornou uma ferramenta jurídica eficaz para organizar e proteger o legado patrimonial enquanto ainda existe liderança, diálogo e racionalidade.

O que é uma Holding Familiar e por que esse tema cresceu tanto no Brasil

Uma holding familiar é uma empresa constituída com o objetivo de controlar e administrar o patrimônio de uma família. Os bens imóveis, participações societárias, aplicações financeiras são integralizados ao capital social da empresa, e os herdeiros passam a deter quotas dessa estrutura.

O conceito não é novo no direito brasileiro. Foi introduzido formalmente em 1976, pela Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76). Entretanto, apenas nas últimas duas décadas as holdings passaram a ser utilizadas de forma estratégica por famílias que buscam:

proteção patrimonial
organização sucessória
redução de conflitos
controle e governança familiar
eficiência tributária e operacional

Embora a holding não seja um “tipo societário” próprio, a legislação autoriza expressamente sua finalidade. O artigo 2º, §3º, da Lei nº 6.404/76, estabelece que a companhia pode ter por objeto a participação em outras sociedades. A articulação entre normas societárias, civis e tributárias permitiu que a holding se tornasse uma solução madura e legítima para famílias que desejam preservar legado.

O Problema que Quase Ninguém Gosta de Encarar: Sucessão Sem Planejamento

Existem três medos que direcionam a decisão de famílias com patrimônio:

1. Perder patrimônio
Tributos, inventário, disputas judiciais e decisões ruins podem corroer ativos que levaram décadas para serem construídos.

2. Briga entre herdeiros
O conflito familiar é o risco mais caro e mais destrutivo da sucessão. Ele raramente é racional. Ele nasce do emocional.

3. Inventário caro, demorado e desgastante
Inventários no Brasil podem travar patrimônio durante anos, dificultando venda, locação, uso e divisão.

Esses medos são reais e não teóricos. Famílias aguardam anos até que um inventário se encerre; bens são desvalorizados, alugados com insegurança ou simplesmente paralisados. Herdeiros que antes conviviam bem deixam de conversar. O custo não é apenas financeiro é afetivo.

É por isso que advogado especialista em holding familiar e sucessão patrimonial não trabalha apenas com leis, mas com organização, paz familiar e perpetuação de legado.

Como a Holding Familiar Reduz Conflitos e Simplifica a Sucessão

Planejar a sucessão por meio de uma holding permite que a transferência de bens ocorra em vida, de forma organizada e segura.

Benefícios práticos:

Sucessão sem inventário (ou com inventário mínimo)
Transferência de cotas, e não de bens
Regras de governança definidas em contrato
Controle mantido pelos patriarcas enquanto vivos
Tratamento igualitário ou diferenciado conforme o desejo da família
Blindagem contra terceiros e eventos imprevistos

 

A sucessão deixa de ser um evento caótico e passa a ser um roteiro preparado, tecnicamente estruturado e juridicamente protegido.

A Diferença Entre “Herança” e “Legado”

Herança é a transferência de bens.
Legado é a transferência de visão, concordância e continuidade.

Famílias de patrimônio médio e alto se diferenciam por uma razão simples:
não querem apenas dividir ativos, querem perpetuar valores e evitar rupturas.

A holding familiar cria o ambiente jurídico para isso.

Tipos de Holding e Suas Finalidades

A doutrina jurídica classifica as holdings em modalidades que ajudam a compreender o seu uso estratégico:

1. Holding Pura

Tem como único objeto deter participações societárias.

2. Holding Mista

Além de participações, exerce atividade econômica própria.

3. Holding Patrimonial

Organiza e administra patrimônio (imóveis, investimentos etc.).

4. Holding Familiar

É a holding patrimonial com finalidade sucessória e proteção de legado.

É aqui que atuam majoritariamente o advogado especialista em holding familiar e o advogado especialista em planejamento sucessório.

O Custo Invisível de Não Planejar: O Brasil é um País que Puni a Desorganização

Se a família não estrutura agora, o Estado estrutura depois via inventário judicial.

Sem holding:

  • bloqueia-se patrimônio

  • exige-se avaliação

  • cobra-se tributos

  • exige-se processo

  • abre-se espaço para conflito

  • paga-se custas, honorários e burocracia

Com holding:

  • define-se regras

  • distribui-se cotas

  • profissionaliza-se a gestão

  • preserva-se a paz familiar

  • reduz-se custos e tempos

  • garante-se continuidade

Não agir é, paradoxalmente, a decisão mais cara.

Tributação, ITBI e Jurisprudência o que é importante saber

A integralização de bens em holding familiar abre a discussão sobre imunidade de ITBI (art. 156, §2º, I, CF). Tribunais estaduais têm reconhecido a imunidade quando a atividade preponderante não for imobiliária.

 

Esse é um dos motivos pelos quais é essencial que a estrutura seja feita por advogado especialista em holding e não apenas por um contador ou por replicação de modelos prontos.

Para Quem Faz Sentido Criar uma Holding Familiar

✔ famílias com imóveis
✔ famílias com empresas
✔ famílias com investimentos relevantes
✔ famílias com herdeiros múltiplos
✔ famílias com patriarcas idosos
✔ famílias que desejam perpetuar legado
✔ famílias que desejam evitar litígios

 

Não é estrutura para “ricos excêntricos”.
É estrutura para famílias inteligentes.

Conclusão: O Melhor Momento para Planejar é Antes da Crise

Holding familiar e planejamento sucessório não são produtos jurídicos, são decisões estratégicas que conectam patrimônio, família e tempo.

Quem decide antes tem controle.
Quem decide depois tem custo.

 

Por isso, famílias com patrimônio buscam cada vez mais advogado especialista em holding familiar e sucessão não apenas para organizar bens, mas para preservar algo ainda mais valioso: a harmonia e a continuidade do legado familiar.

Todos os Direitos Reservados.

PEREIRA E RICCI CONSULTORIA

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